A oncologia moderna avança rumo a uma estratificação cada vez mais precisa, na qual não basta apenas determinar se um tumor é de alto risco, mas compreender que tipo de alto risco ele representa do ponto de vista biológico. Nesse contexto, as recentes atualizações das diretrizes da NCCN reforçam a relevância da subclassificação molecular dentro do perfil de alto risco do MammaPrint no câncer de mama HR+/HER2-.
Os dados incorporados às diretrizes, juntamente com evidências prospectivas e de vida real, destacam diferenças clinicamente significativas entre Alto Risco 1 (High 1) e Alto Risco 2 (High 2), com potencial impacto na tomada de decisões terapêuticas adjuvantes.
Diferenças-chave entre Alto Risco 1 e Alto Risco 2
Embora ambos os subgrupos pertençam ao espectro de alto risco molecular, as evidências mostram que seu comportamento biológico não é equivalente.
A categoria High 2 reflete um sinal molecular de maior agressividade e proliferação tumoral dentro do contínuo de alto risco. Essa diferença biológica pode se traduzir em maior sensibilidade a esquemas terapêuticos com maior intensidade citotóxica.
De acordo com o que foi reportado nas diretrizes da NCCN, pacientes classificados como MammaPrint Alto Risco 2 apresentam piores desfechos quando recebem esquemas baseados exclusivamente em taxanos (TC), em comparação com aqueles tratados com regimes que incluem antraciclinas (AC‑T). Por outro lado, os pacientes Alto Risco 1 não demonstram diferenças clinicamente relevantes entre essas abordagens.
Evidência do registro prospectivo FLEX: impacto terapêutico na prática real
O registro prospectivo FLEX, com dados de vida real, fornece informações particularmente relevantes para a prática clínica.
Em pacientes com câncer de mama HR+/HER2- classificados como MammaPrint High 2, os esquemas que incluem antraciclinas (AC‑T) apresentaram melhores resultados em sobrevida livre de doença invasiva (IDFS) em 3 anos, em comparação com esquemas baseados em TC, com uma diferença absoluta de 10,7%.
Por outro lado, nos pacientes High 1, não foram observadas diferenças substanciais na IDFS entre ambos os esquemas.
Esses achados sugerem que a categoria High 2 pode identificar um subgrupo com maior benefício potencial frente à intensificação terapêutica por meio de regimes que incluem antraciclinas.
Subclassificação molecular: um passo adicional rumo à medicina personalizada
A atualização da NCCN, juntamente com os resultados observados no registro FLEX, reforça um princípio central da oncologia contemporânea: a biologia tumoral importa, inclusive dentro de um mesmo grupo de risco.
High 1 e High 2 não representam simplesmente categorias estatísticas, mas fenótipos moleculares distintos que podem influenciar:
- A seleção do esquema terapêutico mais adequado.
- A definição da intensidade do tratamento.
- O equilíbrio entre benefício clínico e potencial toxicidade.
Em um cenário em que as decisões adjuvantes devem ponderar eficácia, toxicidade a curto e longo prazo e características individuais do paciente, contar com uma subestratificação molecular precisa permite reduzir a incerteza clínica.